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Monthly Archives: Dezembro 2015

Ilustração, No. 116, Outubro 16 1930 - 22

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“No mundo dos símbolos, o Dr. Coelho de Carvalho e a perna do soba”, por Castelo de Morais, ilustrações de Stuart de Carvalhais.

“Que teria havido se o soba não tivesse comido a perna de massa assada no fôrno do governador?

Por muito menos começou a guerra de Tróia, e, quási em nossos dias, a revolta dos cipaios não teve como causa primária o desrespeito dos ingleses pelas crenças indianas? Não foi o cabo que preservava os cartuchos a razão principal daquela terrível sangueira?

Não só com ferro se dominam povos; às vezes a massa tenra produz grandes efeitos, como no caso presente.”

Século Ilustrado, No. 518, December 6 1947 - 20

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Conclusão do artigo sobre o Centro de Preparação de Artistas da Rádio, e do conto “Eis, desabou um sonho”, de Eugénio Vieira. Publicidade ao Cire Aseptine; ao after-shave Embryderme; e ao Tampax. Os resultados dos passatempos.

Século Ilustrado, No. 518, December 6 1947 - 20a

“- E a respeito de projectos?

– Penso fazer uma ‘tournée’ pelo País, daqui a um ano. Ouvirei as melhores vozes das principais cidades da província, e talvez faça transmissões regionais de programas organizados ‘in loco’. Mas isto não passa, por enquanto, de um simples projecto.”

Ilustração, No. 116, Outubro 16 1930 - 21

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“No mundo dos símbolos, o Dr. Coelho de Carvalho e a perna do soba”, por Castelo de Morais, ilustrações de Stuart de Carvalhais.

“Para que o sobrinho do Soba fôsse pelos seus vassalos tido como digno sucessor dos seus maiores, tinha que praticar o rito… Era obrigado a cumprir a cerimónia principal da aclamção, isto é, tinha… de comer em um banquete oficial a perna do tio. (…)

Isto era grave. Ordem expressa do govêrno português proibia para todo o sempre o acto de canibalismo. Crenças profundas da gente negra impediam a sagração do novo soba sem a pitança da côxa ancestral. (…)

Mal luziu a manhã, Coelho de Carvalho chamou os magnates. Explicou-lhes o que era um símbolo. O símbolo era como os manipanços, valia a divindade. Ora se os manipanços eram de pau e valiam o Deus porque não podia uma perna de massa de pão valer a outra, a de carne, a do Soba?”

Ilustração, No. 116, Outubro 16 1930 - 20

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“No mundo dos símbolos, o Dr. Coelho de Carvalho e a perna do soba”, por Castelo de Morais, ilustrações de Stuart de Carvalhais.

“Há cinquenta anos exercia o dr. Coelho de Carvalho o lugar de governador em um distrito norte da Província de Angola. Como bom português havia posto no desempenho do seu cargo todo o tacto e boa vontade necessárias para o maior estreitamento de relações com o gentio. Queria êle continuar profìcuamente a obra de ocupação definitiva então apenas principiada e dèbilmente mantida. Mal, porém, começara a executar oplano concebido morreu o Soba e, portanto, mister se tornava criar novas influências junto do sucessor dinástico do defunto.”

Século Ilustrado, No. 518, December 6 1947 - 19

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“Crónica de Lisboa pitoresca, Uma inocente, a Rosária”, por Manuel Martinho, ilustrada por Aviaras. Uma história (verdadeira?) que expõe as intrigas que eram feitas acerca de jovens solteiras, e a cultura de resolver problemas em cenas de “faca e alguidar”.

Século Ilustrado, No. 518, December 6 1947 - 19a

“Ora, o que aconteceu à Rosária impressionou-me. Ela trabalha na Fábrica da Rolha. Ganha bem, às semanas, e os patrões, que são inglezes, dão aos operários, além do café da manhã, batas de ganga, bem jeitosas. (…) Rapariga desenxovalhada, muito tino na cabeça, e um arzinho simpático na pele morena, a Rosária teve pretendentes ‘à bicha’. (…) Ora como a Rosária não ligasse importância a estes marmanjos, o que havia de inventar a mexeriquice do bêco? – ‘Que ela entendia-se muito bem com o mestre-geral, o Apolinário, que é casado e tem um rancho de filhos’. (…) E ontem, ao meio-dia, depois da saída da fábrica – o que se passou?

Apenas isto: a mulher do Apolinário, uma rapariguita ossuda, de cabelo na venta, com uma criança ao colo e outra pela mão, foi fazer um arraial de lágrimas à porta da Rosária, no bêco, dizendo que lhe bebia o sangue e a fazia às postas. (…)

Apartadas as duas – a Rosária quis saber onde estava a língua caluniosa, que inventara a insídia, para a arrancar. E, a outra, mais serena, disse que tinha sido o Catatua! (…)

Mas a vizinhança não a deixou espetar a faca – e foi de opinião de que se arranjasse, antes, um ‘abaixo assinado’ para entregar o Catatua ao Governo, como difamador.”

Século Ilustrado, No. 518, December 6 1947 - 18

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Foto-reportagem sobre um circo americano.

Nas imagens: a família de acrobatas Wallenda; a amazona Ernestine Clark practica os seus exercícios com a ajuda do treinador; Ragmus Nielson, ferreiro que é capaz de suportar grandes pesos com os mamilos; o vestiário, onde há uma profusão de penas e plumas; e os elefantes.

Século Ilustrado, No. 518, December 6 1947 - 18a

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Ilustração, No. 116, Outubro 16 1930 - 19

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“Tsé-tsé ou a mosca da morte”, por Wynant Davis Hubbard (Anglo-American N. S. Copyright).

“A mosca Tsé-tsé, da qual se conhecem umas dezanove espécies, tôdas elas de origem etiópica, actua simplesmente como veículo mecânico dos germens da doença. Podê-las hemos comparar ao mosquito anopheles, da malária. As moscas Tsé-tsé sugam os aludidos germens quando mordem qualquer criatura para obter a sua ração de sangue. Mais tarde, ao morder outras criaturas, injectam-lhes um fluído irritante, que lhes faz borbotar o sangue da pele. Com êsse fluído irritante vão os germens da doença. Êstes, que, como dissémos, originam a doença do sono e a nagana, pertencem ao vasto mundo de organismos microscópicos a que se chama trypansomas, e constituem uma divisão da grande família dos protozoários. (…)

Os médicos alemães que operavam no vale de Loangua a nordeste da Rodésia foram os primeiros a descobrir o remédio conhecido sob o nome de Baer 205. Tempos depois os médicos franceses melhoraram a fórmula alemã e conseguiram curas muito mais importantes. Mais tarde o dr. Luís Pearce, do Instituto Médico Rockfeller, e que operava no Congo, descobriu um terceiro remédio.”