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Monthly Archives: Janeiro 2016

Século Ilustrado, No. 527, Fevereiro 7 1948 - 15

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O humor do cartunista Baltazar.

Nas actualidades: os técnicos de filmagem César de Sá, Fernando Serra Ribeiro e Américo Couto, que filmaram o marechal Carmona durante a passagem de ano, projectam os filmes no Palácio de Belém; o ministro do Interior, em representação do chefe de Estado, inaugura uma exposição do Secretariado de Informação e Cultura Popular no Palácia da Foz (na imagem, com o director António Ferro); e o casamento de Maria José Guerra da Silva Grande e Marco António Acaciolly Tamagnini Barbosa, na igreja da Marinha Grande.

Ilustração, No. 117, Novembro 1 1930 - 23

Carregar na imagem para ver em tamanho 1296 x 1808.

“Weyler, sua vida e sua morte, quem era o ‘príncipe da milicia'”, obituário, por Novais Teixeira, do marechal espanhol D. Valeriano Weyler, duque de Rubi, capitão general dos Exércitos Espanhóis, condecorado com o Tosão de Oiro, Gran Cruz de São Fernando.

“Foi o general Weyler um daqueles militares de normas inflexíveis, que formam da disciplina um conceito rígido e inabalável. Aos deveres da sua profissão, aos princípios invulneráveis dos regulamentos marciais, sacrificou sempre, com uma instransigência e uma crueldade verdadeiramente medievais, todos os impulsos de genoridade humana que porventura alguma vez houvessem agitado a sua alma de soldado. (…) A sua intervenção na guerra de Cuba, onde assumiu o comando das tropas espanholas em substituição do general Martinez de Campos, demitido pelas acusações que lhe foram feitas em Espanha de falta de decisão e energia para reprimir o levantamento dos insurrectos, é um dos capítulos mais negros que se tem escrito na história colonial de qualquer país.”

Ilustração, No. 117, Novembro 1 1930 - 22

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A grande semana do livro em Madrid.

“Com uma coragem moral que assombra e uma vivacidade intelectual admirável, Espanha procura cortar com o passado todos os laços que a tornaram imcompatível com o espirito moderno. Saída dum obscurantismo que parecia uma sepultura, caminha sempre em busca duma luz que espíritos tímidos vêem com raios sangrentos, mas que observadores mais serenos, assinalam bela e forte como a duma aurora. (…)

A Feira do Livro, ultimamente realizada em Madrid, constituiu um acontecimento que elevou a população daquela cidade aos olhos dos estrangeiros. Madrid inteiro viveu, durante o tempo em que êle se efectuou, horas de grande alegria espiritual.”

Século Ilustrado, No. 527, Fevereiro 7 1948 - 13

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A “Imagens da Semana” brinca ao Carnaval, com notícias inventadas: uma corrida velocipédica nos Estádio Nacional, com ciclistas do princípio do século passado; o novo “galã” de cinema nacional; um visitante à redacção do jornal; e o poeta Acácio Possidónio estreava-se como romancista, com… o Borda d’Água.

O passatempo “Veja se acerta…” também brinca ao Carnaval. E uma imagem do Carnaval de Basileia, na Suíça.

Século Ilustrado, No. 527, Fevereiro 7 1948 - 13a

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Século Ilustrado, No. 527, Fevereiro 7 1948 - 12

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A “Imagens da Semana” brinca ao Carnaval, com notícias inventadas: um “garden-party” nos jardins do morgado da Atalaia; uma passagem de modelos de Madame Pires (na realidade, com fotos dos anos 1900s); a Grande Orquestra Sinfónica de Karcóvia, liderada pelo director Raminsky Sarkokoff; uma suposta rival ao trono de Amália Rodrigues, que parece do princípio do século passado, chamada Engrácia da Encarnação; e os gerentes da maior organização dinamarquesa de chapéus de palhinhas, que viriam estudar em Lisboa a possibilidade dum “trust” entre os dois países.

Século Ilustrado, No. 527, Fevereiro 7 1948 - 12b

Século Ilustrado, No. 527, Fevereiro 7 1948 - 12a

Ilustração, No. 117, Novembro 1 1930 - 21

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“Da terra dos pretos, O Batuque”, artigo de Zarco de Almeirim. Nas imagens, dois exemplos de batuques.

“Fala-se, por vezes, na metrópole, quando se vê um folguedo desabrido, uma dança sem nexo, que é um batuque, como significando desprêso, tanto pelas pessoas que o executam como pela própria dança, talvez, por um convencionalismo, por uma hierarquia charra, baixa mesmo, que certos seres julgam ter sôbre os de côr diferente, como se a côr fôsse actos de miséria ou faltas de carácter, tantas vezes desligados dêsses que censuram, dêsses que arrogam a si o direito de superioridade perante um preto, olhando-o deshumanamente, com certa cruelade – mais talvez, que a um animal bravio. Mas quem vem a estas paragens, ao sertão, desilude-se por completo dêsse modo de pensar, atira para muito longe com o erróneo juízo que se faz do negro, e muito mais da sua dança, como se observa.

O batuque, sendo uma dança gentílica, sem as regras do convencionalismo, tem, mesmo assim, um cunho simbólico, um cunho de pureza rácica que nos obriga a nós, outros, a tomá-la como coisa séria e moral que é.”

Ilustração, No. 117, Novembro 1 1930 - 20

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“Lagarto, lagarto, lagarto”, por Castelo de Morais, ilustrado por Stuart de Carvalhais.

“Uma grande artista que pisou várias vezes o palco do S. Carlos, antes dos ensaios andava pelos bastidores, curvada, com os olhos no chão como quem procura qualquer coisa perdida. Andava à cata dum prego torto e enquanto o não achasse não ia cantar. Bem entendido, o Paccini mandava espalhar todos os dias meia dúzia de pregos tortos entre os bastidores para que a diva tivesse o prazer de quebrar o enguiço e não faltasse ao ensaio.”

Século Ilustrado, No. 527, Fevereiro 7 1948 - 10

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“Poeira do tempo… O V Duque de Portland, o homem que levou uma existência dupla”.

“William Cavendish Benting, sexto duque de Portland, havia herdado o título e a fortuna – uma fortuna imensa porventura uma das maiores do Reino Unido e, nessa altura, do Mundo – de um seu primo, o quinto duque de Portland, de nome John, falecido em 1879, sem deixar filhos. (…)

De uma aguda misantropia, consequência provável de uma terrível doença de pele que o desfigurava, John escondia-se de todos os olhares. (…)

Certo dia, em 1898, soube-se que uma dama, Annie-Mary Druce, de Londres, reivindicava a herança do duque John, a favor do seu filho Sidney Druce.”