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Monthly Archives: Maio 2016

Ilustração, No. 120, Natal, Dezembro 16 1930 - 33

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“O Que Fez um Olhar de El-Rei”, tragédia doméstica por Eduardo Zamacois, conto ilustrado por A. Duarte de Almeida.

Ilustração, No. 120, Natal, Dezembro 16 1930 - 33b

Ilustração, No. 120, Natal, Dezembro 16 1930 - 33a

“Cármen (Atalhando) – Um rei brilha mais que todos os tenores, que todos os toureiros e todos os artistas juntos.

LOPES – Mas considera que os tronos são uma herança e o que se herda não supõe mérito, mas fortuna.

CÁRMEN – Que importa?… (Com inspiração repentina) Tu conheceste minha mãe quando era nova! Dizem que era bonita…

LOPES – Uma beleza!

CÁRMEN – E se eu, como também dizem, me pareço com ela, é falta de mérito para mim que essa beleza não nascesse comigo, mas tivesse sido herdada? O essencial é ser bela, não é verdade?…; pois bem: o essencial é ser rei.”

Ilustração, No. 120, Natal, Dezembro 16 1930 - 32

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“O Que Fez um Olhar de El-Rei”, tragédia doméstica por Eduardo Zamacois, conto ilustrado por A. Duarte de Almeida.

“LOPES – Que sonhaste?…

CÁRMEN (Fechando as pálpebras) – Que El-Rei olhou para mim…

LOPES (Sem compreender) – E depois?…

CÁRMEN – Encontrava-me num jardim cheio de flores e murmúrios de águas correntes. A um lado, alçava-se um bosque negro, de cipestres, através dos quais, ao fundo, o sol morria. Eu tinha acudido ali com o pressentimento de que alguém… não sei quem!… me pedira uma entrevista. (Cala-se um momento e as suas pupilas adquirem uma profundidade apaixonada e magnífica). De repente, vi chegar um automóvel. ‘É êle’, pensei’. Afastei-me, tremendo, do caminho, e o automóvel passou… e no automóvel ia o rei, que olhou para mim. (Suspirando) Ainda retenho aquele olhar…

LOPES (Secretamente ofendido) – E foi isso que te transtornou?

CÁRMEN (Dignando-se baixar os olhos do tecto para olhar para o marido) Tu sabes o que signifca ter sido olhada assim, com prazer, por um rei?…

LOPES – Queres agora convencer-me de que te enamoraste dêle…

CÁRMEN – Tôdas as mulheres estão enamoradas do rei.

Lopes ranze as sobrancelhas.

CÁRMEN – Elas não o sabem…, mas estão.

LOPES – Tu, também?

CÁRMEN – Também; foi uma revelação; compreendi-o quando sonhei me olhava.”

Ilustração, No. 120, Natal, Dezembro 16 1930 - 31

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“O Que Fez um Olhar de El-Rei”, tragédia doméstica por Eduardo Zamacois, conto ilustrado por A. Duarte de Almeida.

“Cármen, a segunda espôsa do sr. Lopes: vinte e três anos. Sôbre o edredon azul repousam seus braços brancos, duma rara harmonia. Na graciosa almofada de renda que lhe sustenta a cabeça, cái o seu cabelo, dum preto retinto, que serve de prestigioso fundo ao rosto. Seus olhos grandes e escuros dirigem-se, naquele instante, para determinado ponto do tecto. Olham muito fixos. É aquele olhar maquinal com que nos momentos de maior abstracção e reflexão parecemos acariciar as nossas lembranças.”

Ilustração Portugueza, nº 456, 1914 - 26

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Marinheiros portugueses partem para defender Angola dos alemães.

Nas imagens Benoliel, o capitão de mar e guerra Nunes da Silva, comandante do corpo de marinheiros, e o capitão-tenente Coriolano da Costa, comandante do batalhão expidicionário, passam revista às praças; os corneteiros, entre eles o cabo Manuel Augusto de Sousa, homenageado com uma artística requinta em placa de prata; e o navio Beira, no qual partia a expedição.