Arquivo

Enciclopédia

Enciclopédia, Nº 12, Abril 1968 - contra-capa

Revista amavelmente cedida por Margarida Marques. Carregar na imagem para ver em tamanho 858 x 1114.

Na contra-capa, publicidade à Shell.

Anúncios

Enciclopédia, Nº 12, Abril 1968 - 42

Revista amavelmente cedida por Margarida Marques. Carregar na imagem para ver em tamanho 1005 x 1332.

Miscelânia.

“Freud (…)

O Departamento de Pesquisa informa que Sigmund Freud (1856 – 1939), criador da Psicanálise, nasceu em Morávia, Áustria, e viveu dos quatro aos 82 anos em Viena. Trabalhou durante muitos anos em laboratório fisiológico. Em 1885, Freud estudou em Paris com o neurologista Jean Charcot. Sua primeira grande contribuição para a psicologia foi Die Traumdentund (a Interpretação dos Sonhos), em 1900, que êle próprio considerou seu melhor livro. As descobertas de Freud, principalmente sôbre a sexualidade das crianças, provocaram no início uma grande reação a qual não o surpreendeu pois sabia a importância da oposição na descoberta da motivação inconsciente. Durante 10 anos Freud trabalhou sòzinho em psicanálise. Em 1910 funda, com alguns colegas que encontrou dois anos antes no primeiro Congresso Internacional de Psicanálise, a Associação Internacional Psicanalítica. Morre em 1939, deixando para Anna, sua filha, a tarefa de continuar uma obra que, embora criticada em vários pontos, continua sendo a base dos estudos de psicanálise.”

Enciclopédia, Nº 12, Abril 1968 - 41

Revista amavelmente cedida por Margarida Marques. Carregar na imagem para ver em tamanho 2052 x 1326.

“O brasileiro”, artigo de Antônio Callado. Nas imagens, uma boiada numa estrada do interior do Pará, e a Bolsa de Valores do Rio de Janeiro.

“Antes da incorporação ao homem brasileiro das dezenas de milhões dos homens sem rosto que constroem o Brasil no interior, qualquer retrato é temporário, qualquer definição transitória. O brasileiro minoritário do retrato oficial é tímido diante da História, bem comportado, apaga nódoas destruindo papéis e chora atrás da porta porque Capitu gosta mais do amigo. O outro brasileiro, que nunca ouviu falar no tráfico ou em Capitu, é que vai um dia completar o retrato da gente desta terra.”

Enciclopédia, Nº 12, Abril 1968 - 39

Revista amavelmente cedida por Margarida Marques. Carregar na imagem para ver em tamanho 2049 x 1338.

Artigo de Afonso Arinos de Mello Franco, fotos equipe FB, sobre o Brasil moderno.

Nas imagens, Abaeté e Bahia.

“Não se pode negar a existência do preconceito racial no Brasil, tanto que êle é objeto de menção no texto da Constituição e na lei penal. Mas querer compará-lo ao existente nos demais países como o Brasil de elite governante predominantemente branca e de massa popular predominantemente mestiça é uma falsidade a que estão cedendo, por imitação, alguns intelectuais negros brasileiros. Engraçado: assim como certos círculos brancos se deixam dominar pela política branca, norte-americana, certos círculos negros estão se deixando também dominar pela ideologia belicosa do poder negro dos Estados Unidos. Mas a grande massa brasileira não segue nem a uns, nem a outros.”

Enciclopédia, Nº 12, Abril 1968 - 38

Revista amavelmente cedida por Margarida Marques. Carregar na imagem para ver em tamanho 2028 x 1329.

Artigo de Afonso Arinos de Mello Franco, fotos equipe FB, sobre o Brasil moderno.

Nas imagens, o Pantanal de Mato Grosso.

“A unidade brasileira é um prodígio da sabedoria política e do sentimento popular. Para voltar ainda ao exemplo do país líder da América, os Estados Unidos não lograram sua expansão territorial sem guerras que duraram até ao século XIX, e não atingiram a união nacional senão após o longo martírio da Guerra de Secessão. Outro país de grande extensão, a Argentina, atravessou vicissitudes semelhantes. A Independência foi para nós um belo episódio incruento, coroado pelo grito teatral de um príncipe romântico. No resto do Continente foram as lutas penosas de Bolívar, Sucre, San Martin, O’Higgins, pelas abas escarpadas dos Andes. A Abolição foi Nabusco discursando, Patrocínio chorando e o grave escravocrata Paulino de Sousa encurtando seu voto contrário para não fazer esperar uma senhora, a Princesa Isabel, que aguardava a lei para assiná-la.”

Enciclopédia, Nº 12, Abril 1968 - 37

Revista amavelmente cedida por Margarida Marques. Carregar na imagem para ver em tamanho 2028 x 1338.

Artigo de Afonso Arinos de Mello Franco, fotos equipe FB, sobre o Brasil moderno. Nas imagens: São Paulo; e a siderurgia e produção de trigo em Rio G. do Sul.

“A indústria nacional atravessou duas fases de extraordinário crescimento, ambas ligadas a causas que nada tinham a ver conosco. Os dois surtos industriais deveram-se exclusivamente às duas guerras mundiais. De 1915 a 1920, pode-se dizer que foi fundada a indústria urbana no Brasil, pois a que antes existia (com a exceção da indústria têxtil) mal passava de uma espécie ampliada do artesanato doméstico. E a segunda conflagração, a partir de 1940, determinou o segundo surto expansionista, que ainda durou no período Kubitschek, mas vem declinando em seguida. Atualmente o crescimento de produção e de demanda, tanto na indústria como na agricultura, têm correspondido sòmente ao aumento da população.”

Enciclopédia, Nº 12, Abril 1968 - 36

Revista amavelmente cedida por Margarida Marques. Carregar na imagem para ver em tamanho 2031 x 1323.

Artigo de Afonso Arinos de Mello Franco, fotos equipe FB, sobre o Brasil moderno. Nas imagens: a quaresmeira roxa, típica das serras dos Órgãos e do Mar; e o litoral do Est. do Rio, Esp. Santo e R. G. do Norte.

“Fugindo às condições desfavoráveis de trabalho em uma agricultura atrasada e sem técnica, o trabalhador rural vem para as cidades, cujos serviços municipais (habitação, transportes, ensino, higiene) estão mal preparados para recebê-los, e disputa empregos em uma indústria geralmente também medìocremente aparelhada e de baixa produtividade, que não lhe pode oferecer condições adequadas de vida. De qualquer forma é a cidade, com a liberdade maior para o trabalho, o salário enganosamente mais elevado, o rádio de pilha, às vêzes a televisão, sempre o clube de futebol, o samba e o carnaval, maravilhoso espetáculo de riqueza em que todos são ao mesmo tempo assistentes e atôres, mundo feérico de lantejoulas de papelão, que se dissolve em três dias, às vêzes debaixo da chuva, como ainda êste ano no Rio de Janeiro.”