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Menina e Moça

Menina e Moça, Nº 154, Abril 1961, Camaradagem com Rapazes

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Do livro Mocidade Portugueza Feminina por Irene Flunser Pimentel, publicado por A Esfera dos Livros, 2007.

“Ao longo dos anos, foi também transmitida nas páginas da M&M uma imagem da ‘mulher ideal, segundo eles’. Descrita, em 1948, como se fosse um jovem a falar, a rapariga ideal deveria ser ‘boa dona de casa’, ‘compreensiva dos gostos e necessidades alheias, ‘afectuosa para a família do marido’, ‘ pontual’, ‘discreta’, ‘económica’, ‘sincera, dócil, séria, confiante, pouco tagarela’, e não ‘usar baton’. Outros artigos enumeravam os defeitos de ‘que eles não gosta(va)m’ (1954) e ‘as qualidades que eles mais aprecia(va)m’ nas raparigas (1961).”

Menina e Moça, Nº 128, Maio 1958, Rainha D. Leonor

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Do livro Mocidade Portugueza Feminina por Irene Flunser Pimentel, publicado por A Esfera dos Livros, 2007.

“Para além de D. Leonor e de D. Filipa de Lencastre, também a beata D. Teresa foi elogiada nas páginas do Boletim da MPF por ter optado pela via religiosa, renunciando ao casamento e à maternidade.

O padre Gustavo de Almeida, ideólogo da MPF chegou a apelar ao celibato das jovens por forma a melhor se dedicarem ao apostolado social e religioso. As dirigentes da MPF eram habitualmente mulheres solteiras, com curso universitário, em oposição àquilo que elas próprias propunham para as suas raparigas.”

Boletim da M. P. F., Nº 2, Janeiro 1941, Menina e Moça, Nº 35, Março 1950, Curso de Donas de Casa

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Do livro Mocidade Portugueza Feminina por Irene Flunser Pimentel, publicado por A Esfera dos Livros, 2007.

“A MPF começou por introduzir, nas suas actividades, economia doméstica, começando a formar as primeiras instrutoras respectivas, em 1944. Depois o seu plano de actividades de 1947 incluiu, não só a economia doméstica, como a culinária e a puericultura, integradas nos chamados ‘lavores femininos’, que continuaram a ser obrigatórios no ensino primário e no 1º ciclo do liceu até 1966.”

Mocidade Portuguesa Feminina, Nº 8, Dezembro 1939, Menina e Moça, Nº 41, Outubro 1950

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Do livro Mocidade Portuguesa Feminina de Irene Flunser Pimentel, editora A Esfera dos Livros, 2007.

“O Boletim da MPF começou por integrar a ‘Página das Lusitas’, para as filiadas mais novas, editada entre 1943 e 1957 sob a direcção de Maria Teresa Andrade Santos.

Em Dezembro de 1939, Maria Paula de Azevedo perguntava: ‘Queridas Lusitas, sabeis como é grande a responsabilidade dos vossos nomes?’ E respondia: ‘Sois cristãs, isto é filhas de Cristo; Sois LUSITAS, isto é Filhas de Portugal. É pois, essencial para a vossa dignidade, que vos lembrais sempre dêstes dois grandes títulos de verdadeira e alta nobreza!'”

Menina e Moça, Nº 6, Outubro 1947, e Nº 31, Novembro 1949 - capas

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Do livro Mocidade Portuguesa Feminina de Irene Flunser Pimentel, editora A Esfera dos Livros, 2007.

“De grande divulgação, tinha a pretensão de chegar já não só às filiadas da MPF, mas ‘a todas as raparigas de Portugal’. Tinha por isso um aspecto gráfico mais arejado, da autoria de Maria Margarida Ottolini, que também era a ilustradora da Fagulha, juntamente com José Manuel Soares. Enquanto o Boletim da MPF actuara durante o período inicial de estruturação da organização quando esta se preocupou em formar primeiro uma futura elite dirigente, com a qual, depois, iria então atingir a ‘massa’ das jovens, a M&M deixou de facto transparecer, nos anos 50, um abandono do elitismo inicial e um maior acompanhamento da mobilidade social que se fizeram então sentir na sociedade portuguesa.”

Menina e Moça, Nº 182, Maio 1963, Caminhos do Futuro

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Do livro Mocidade Portuguesa Feminina de Irene Flunser Pimentel, editora A Esfera dos Livros, 2007.

“Mas os protestos de algumas famílias contra a MPF não provinham só daquelas que se opunham ao regime, como o demonstra uma carta de um pai de uma aluna do Liceu francês Charles Lepierre ao seu amigo Francisco Leite Pinto, ministro da Educação Nacional a denunciar, em 1957, uma instrutora de formação nacionalista, por aterrorizar as crianças com frases como ‘as meninas devem gostar de morrer’ e ‘ter sempre o caixão preparado’.”

Menina e Moça, Nº 182, Maio 1963, Caminhos do Futuro

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Do livro Mocidade Portuguesa Feminina de Irene Flunser Pimentel, editora A Esfera dos Livros, 2007.

“Mas os protestos de algumas famílias contra a MPF não provinham só daquelas que se opunham ao regime, como o demonstra uma carta de um pai de uma aluna do Liceu francês Charles Lepierre ao seu amigo Francisco Leite Pinto, ministro da Educação Nacional a denunciar, em 1957, uma instrutora de formação nacionalista, por aterrorizar as crianças com frases como ‘as meninas devem gostar de morrer’ e ‘ter sempre o caixão preparado’.”

Menina e Moça, Nº 182, Fevereiro 1963, Creio-Quero-Pometo

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Do livro Mocidade Portuguesa Feminina de Irene Flunser Pimentel, editora A Esfera dos Livros, 2007.

“Em 1971, assistiu-se ao triunfo da Escola sobre as MP, já encetado em 1966. Mas, nem sempre tinha sido assim. Como a MPF actuou só entre a juventude escolar, assistiu-se compreensivelmente ao longo dos anos a uma luta surda de competências entre as direcções dos estabelecimentos de ensino e a da organização feminina quanto às atribuições das respectivas funções. Muitos reitores queixaram-se – por vezes com êxito – de que algumas alunas faltavam às aulas do programa escolar para frequentarem cursos da MPF.”

Menina e Moça, Nº 179, Fevereiro 1963 - capa

Menina e Moça, Nº 179, Fevereiro 1963 – capa

Do livro Mocidade Portuguesa Feminina de Irene Flunser Pimentel, editora A Esfera dos Livros, 2007.

“Os novos objectivos decorrentes do Estatuto Liceal de 1947 reflectiram-se nas publicações da MPF. Nesse ano, o Boletim da MPF (1939-47) subdividiu-se em dois jornais: o Boletim para Dirigentes (BD), editado entre 1946 e 1952, que integrou as antigas Folhas de Formação Moral, bem como os artigos formativos outrora incluidos no Boletim da MPF e na Menina e Moça (M&M), publicado entre 1947 e 1974. Esta publicação, que continuou a ser dirigida por Maria Joana Mendes Leal, era uma revista aparentemente menos politizada do que a sua antecessora.”