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Menina e Moça

Menina e Moça, Nº 147, Março 1960, Complexo de Inferioridade

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Do livro Mocidade Portuguesa Feminina de Irene Flunser Pimentel, editora A Esfera dos Livros, 2007.

“Mas um dos responsáveis pelo figurino da nova rapariga da MPF foi sem dúvida o padre Gustavo de Almeida, que, nos seus apelos em favor da ‘heroicidade’ e contra a ‘mediocridade’ e a ‘cobardia’, no Boletim da MPF de Junho e Julho de 1939, bem como de Setembro de 1940, criticou particularmente os ‘gozadores da vida, parasitas da sociedade – os comilões, os dandys, os endinheirados, as sécias’, que ‘não vivem, vegetam’. Segundo ele, a rapariga deveria trabalhar para não ser ‘fútil, leviana, medíocre, egoísta, boneca de vaidades, bibelot de praia ou menina parasita’ (Boletim, Julho de 1940). Entre os ‘inimigos traiçoeiros’ das jovens, Gustavo de Almeida apontou, em Março de 1941, ‘a revista lindamente apresentada, o jornal ‘sério’, o filme ‘inocente’, o senhor e o menino ‘bem’, as meninas ‘possidónias’.”

Menina e Moça, Nº 147, Junho 1960, Saber Viver

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Do livro Mocidade Portuguesa Feminina de Irene Flunser Pimentel, editora A Esfera dos Livros, 2007.

“A MPF queria fazer das jovens filiadas, mulheres ideais. Os artigos do Boletim da MPF e da M&M davam os conselhos necessários: ‘ser boa dona de casa mas sem maçar os outros com os acontecimentos caseiros, compreensiva dos gostos e necessidades alheias, afectuosa para a família do marido, pontual, discreta com os seus amigos, económica, sincera e leal, com bom génio, dócil, séria, confiante, puco tagarela e sem usar ‘baton”. Era preciso combater a futilidade, o excesso, as ‘modernices’ como a pastilha elástica ou a forma como se dobrava um bilhete da carris…”

Menina e Moça, Nº 139, Junho 1959

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Do livro Mocidade Portuguesa Feminina de Irene Flunser Pimentel, editora A Esfera dos Livros, 2007.

“Para além das actividades da MPF, que serviram para inculcar a ideologia nacionalista e cristã no seio das raparigas portuguesas, assim como para enquadrá-las, mobilizá-las e adaptá-las ao regime salazarista, as publicações da MPF foram, sem dúvida, os principais meios de transmissão de valores e comportamentos entre as jovens que as liam.”

Menina e Moça, Nº 130, Julho, Agosto, 1958 - capa

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Do livro Mocidade Portuguesa Feminina de Irene Flunser Pimentel, editora A Esfera dos Livros, 2007.

“O facto de a MPF ter deixado de ser de filiação obrigatória, em 1971 também foi abordado na M&M, que se preocupou em tratar temas mais modernos. No seu último número, de Abril de 1974, foram abordados temas como ‘Recordando a Goa portuguesa’, além de ser anunciado que estavam a decorrer as provas para o concurso ‘Rapariga Ideal, 1974’. O resultado seria anunciado no número seguinte, mas por razões óbvias – a extinção da MPF, em 25 de Abril – este já não saíria.”

Menina e Moça, Nº 78, Janeiro 1954, Diz-me Onde Habitas

Carregar na imagem para ver em tamanho 1000 x 1358. Do livro Mocidade Portuguesa Feminina de Irene Flunser Pimentel, editora A Esfera dos Livros, 2007.

“Se, na vida familiar, a filiada devia aceitar a autoridade paterna, encarando-a como uma menação da autoridade de Deus, nas relações com os jovens, devia ver a liberdade como ‘um bem que o abuso’ transformava ‘em mal’. A jovem ‘séria’ devia, por isso, ser prudente, vigiar os seus próprios sentimentos e fazer-se respeitar; o epílogo seria, nesse caso, o casamento, ‘o mais sério acto e o mais lindo sonho’ a que as jovens podiam aspirar. O cuidado devia ser sobretudo maior porquanto as relações com o outro sexo serviam um só fim – o casamento.”

Menina e Moça, Nº 78, Janeiro 1954, Diz-me Onde Habitas a

“Em 1948, Maria Mercier elaborou, na M&M, um teste, subordinado à pergunta ‘serás tu uma boa filha?’ Consoante as respostas, boa filha era aquela que preferia um serão em casa com a família, ajudava a mãe nos afazeres domésticos, não proclamava a sua independência, fazia companhia à avó, não ‘implicava’ com os irmãos e consultava sempre os pais porque a sua opinião ‘nem sempre é parcial e antiquada’. Se respondessem negativamente às perguntas ‘sentes prazer em saír com os teus pais?’ ou ‘conheces as preferências, as causas de sofrimento dos pais?’, as leitoras eram consideradas ‘egoístas’, ‘preguiçosas’, ‘vaidosas’ ou ‘cabeças no ar’ (M&M, Janeiro de 1949).”

Menina e Moça, Nº 19, Outubro 1966, O que a M. P. F. Te Oferece

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Do livro Mocidade Portuguesa Feminina de Irene Flunser Pimentel, editora A Esfera dos Livros, 2007.

“Em 1941, ‘para dar corpo à educação integral física, moral e intelectual’ das raparigas, foi oficialmente definido o programa de actividades dos centros escolares e criada a Escola de Graduadas. Até ao final da II Guerra Mundial, a principal actividade da MPF foi a ‘formação moral e cristã’, dado que, como considerava a organização, Portugal era historicamente cristão, e o catolicismo legitimava o nacionalismo português.”

Menina e Moça, Nº 17, Setembro 1948 - capa

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Do livro Mocidade Portuguesa Feminina de Irene Flunser Pimentel, editora A Esfera dos Livros, 2007.

“No primeiro número da M&M, foi apresentado um de muitos concursos e inquéritos com os quais a revista tentou obter a colaboração das leitoras. Através da interrogação anódina ‘Nicho ou Colmeia?’, a MPF difundiu, nesse número, a ideia de que Portugal era um paraíso – pelo menos para algumas raparigas – , ao perguntar às jovens se preferiam ‘um aposento num arranha-céus’ ou ‘uma pequena casa portuguesa’. Havia, porém, o cuidado de especificar que, no arranha-céus, a leitora interrogada não teria ‘criada para todo o serviço’, como no ‘nicho’, mas ‘apenas uma mulher 3 horas por dia’. Claro que o ‘nicho’ foi votado por unanimidade, concluindo a M&M que todas as respostas revelavam ‘não só o bom gosto das filiadas como boa formação no ideal que do seu futuro lar fazem’.”

Menina e Moça, Dezembro 1972 - capa

Do livro Mocidade Portuguesa Feminina de Irene Flunser Pimentel, editora A Esfera dos Livros, 2007.

“A M&M acompanhou as mudanças no seio da MPF, decorrentes da saída de Maria Guardiola e a sua substituição, como comissária nacional, por Ana Luz Silva. No número de Maio de 1969, desapareceu, da capa, a referência à Mocidade Portuguesa Feminina. Em Outubro desse ano, surgiu ainda a revista semestral Lavores e Trabalhos Manuais, para apaoiar os programas de ensino de lavores e auxiliar as respectivas educadoras da MPF, dirigindo-se também às – poucas – adolescentes não escolarizadas, com uma linguagem simples e rubricas ‘femininas’ de preparação para a vida no lar e o trabalho artesanal.”