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Tag Archives: 1947

Boletim da M. P. F., Nº 2, Janeiro 1941, Menina e Moça, Nº 35, Março 1950, Curso de Donas de Casa

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Do livro Mocidade Portugueza Feminina por Irene Flunser Pimentel, publicado por A Esfera dos Livros, 2007.

“A MPF começou por introduzir, nas suas actividades, economia doméstica, começando a formar as primeiras instrutoras respectivas, em 1944. Depois o seu plano de actividades de 1947 incluiu, não só a economia doméstica, como a culinária e a puericultura, integradas nos chamados ‘lavores femininos’, que continuaram a ser obrigatórios no ensino primário e no 1º ciclo do liceu até 1966.”

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Desfile da M. P. F., 1941

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Do livro Mocidade Feminina Portuguesa, de Irene Flunser Pimentel, da editora A Esfera dos Livros, 2007.

“Em resposta a uma carta anterior de Maria Guardiola que aludira à possibilidade de serem ‘dispensadas de tomar parte nos actos próprios da religião católica as filiadas que professam outra religião’, o pai de uma aluna considerou, em 1947, que a dispensa não se aplicava à filha, pois esta estava impedida de se filiar pelo próprio regulamento da MP, que recusava a admissão na organização de indivíduos ‘sem religião’. Lamentava, por isso, que a filha fosse impedida de ‘pertencer a uma instituição do seu país por efeito de uma disposição de lei que tem tanto de violenta como de injusta e intolerante’ porque colocava ‘alguns portugueses em situação de desfavor, proibindo-lhes o ingresso numa instituição nacional’. Além disso, apesar dessa proibição, exigia-se-lhes uma contribuição para os fundos da Organização em que não podiam ingressar.”

Mocidade Portuguesa Feminina, Nº 96, Janeiro 1947 - capa

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Do livro Mocidade Portuguesa Feminina de Irene Flunser Pimentel, editora A Esfera dos Livros, 2007.

“Para além das actividades da MPF, na escola e fora dela, que serviram para inculcar a ideologia nacionalista e cristã no seio das raparigas portuguesas, assim como para enquadrá-as, mobilizá-las e adaptá-las ao regime salazarista, as publicações da MPF foram, sem dúvida, os principais meios de transmissão de valores e comportamentos ente as jovens que as liam.

Entre 1939 e 1947, a organização feminina publicou o Boletim da MPF, que, como o nome indicava, se dirigia às filiadas, num período em que a organização se propunha enquadrar toda a juventude feminina. Na realidade, porém, o Boletim dirigiu-se sobretudo às estudantes das classes sociais mais altas, entre as quais tentou formar uma elite feminina, colaboradora da elite masculina do Estado Novo, e criar uma mulher ‘nova’.”

Maria Eugénia passeia nas Ramblas, Barcelona, 1947

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Do livro “Maria Eugénia, A Menina da Rádio”, por Rute Silva Correia. Edição Oficina do Livro, 2011.

“Foi em 1946 que Maria Eugénia partiu para Barcelona, desta vez acompanhada pela tia Isaura, para protagonizar o quarto filme da sua carreira.

A produção hispano-italiana contava com Amedeo Nazzari no papel de galã, além de outros actores de renome, espanhóis e italianos, como Clara Calamai, Gina Montes e Silvia Morgan.”

El Huésped del Cuarto 13, Maria Eugénia, Estévão Amarante e Alfredo Mayo, 1947

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Do livro “Maria Eugénia, A Menina da Rádio”, por Rute Silva Correia. Edição Oficina do Livro, 2011.

“As duas versões eram filmadas sem som directo, que viria a ser introduzido mais tarde, quando era feita a dobragem. Todas as cenas foram filmadas duas vezes e o som ia sendo introduzido conforme ia estando pronta a sequência. Deste modo, Fernando Curado Ribeiro dobrou Alfredo Mayo e o mesmo sucedia com os outros artistas.”

Século Ilustrado, No. 519, December 13 1947 - 12

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Continuação de vários artigos: Betty Marshall escreve uma curta biografia sobre a actriz Maria Montez; a entrevista à actriz portuguesa Teresa Gomes; o falsificador de selos Sperati; e à violoncelista Isaura Pavia de Magalhães. As soluções dos passatempos.

Diz Teresa Gomes:

“- E o bonito respeito que nós tinhamos pelos nossos superiores? Tudo isso pertence ao passado, mas eu recordo sempre com saudade um quadro que não se me apaga da memória. Nos ensaios, os coristas masculinos alinhavam de um lado e as senhoras do outro (não havia esta promiscuidade de agora). Ao centro, ficavam os lugares do empresário, do ensaiador e das rimeiras figuras. Quando entrava Palmira Bastos, nós íamos, uma a uma, beijar a mão da ilustre actriz. Mais tarde ouvi dizer que a gente fazia isso para satisfazer a vaidade de D. Palmira. Nada mais falso! Nunca me dei conta de tal vaidade e sei que oscultávamos a sua mão apenas pelo respeito e pelo carinho que ela nos merecia. (…)

Adivinha-se nas suas palavras a profunda veneração que ela ainda hoje sente pela gloriosa artista:

– Durante as nossas ’tournées’ ao Brasil, tive ocasião de verificar como ela era querida e idolatrada no Rio de Janeiro. No final dos espectáculos, os estudantes formavam alas à saída e D. Palmira passava por cima de um tapete de capas negras que se estendia até o trem que a esperava. Era uma manifestação de apreço que se assemelhava às que os aficionados taurinos fazem hoje em dia, quando saem em ombros os seus ‘diestros’ favoritos. Nesse tempo, o teatro português dava cartas no Brasil.”

Século Ilustrado, No. 519, December 13 1947 - 11

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Nas novidades literárias, entre outras: uma tradução de Teresa Leitão de Barros de “O que Jesus via do alto da cruz”, por A. D. Sertillamges, Livraria Tavares Martins; “Do amor dos poetas e dos poetas do amor”, por Hugo Rocha; o romance “Bia Calatroia”, por Etelvina Lopes de Almeida; e o romance “Aldeia Rica”, de Augusto da Costa.

Nas imagens: o escritor e jornalista checoslovaco Julius Fuick; desenho de Picasso do poeta Apollinaire; e o poeta, dramaturgo, ensaísta, biógrafo de Josephine Bake, etc, Marcel Sauvage, que publicava o romance “Solitudes”.

Século Ilustrado, No. 519, December 13 1947 - 11a

A propósito da publicação de “Campos Pereira, um romancista contemporâneo”, por Amorim de Carvalho:

“Vivemos numa grande época de crítica desmembrada e fecunda. Certo que nem todos os notáveis críticos, ou que como tal se julgam, usam de ética imparcial perante as obras sobre as quais dão pública opinião. (…)

Dentre os maiores críticos do nosso tempo, temos de destacar, como inteiramente merece, Amorim de Carvalho, sempre desassombrado, e sempre honesto, também. (…)

Agora, publicou (…) ‘Campos Pereira, um romancista contemporâneo’. Parece-nos que, depois de Moniz Barreto, ninguém compreendeu melhor a responsabilidade e o alcance da crítica literária entre nós. Amorim de Carvalho estudou a obra de Campos Pereira em todos os aspectos, demorando-se na influência queirosiana que se verifica nas primeiras obras do ficcionista das ‘Pobres Susanas’, nas personagens e sua psicologia; no estilo e no diálogo, no humano e na moral, acentuando, sobretudo, que essa obra traduz ‘uma das mais belas expressões da vida, nessa complexidade dramática do amor – que é o donjoanismo e o donquixotismo’.”