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Tag Archives: A Volta ao Mundo

A Volta ao Mundo, Ferreira de Castro, Nº 15, 1944 - 52

Livro amavelmente cedido por Margarida Marques. Carregar na imagem para ver em tamanho 1097 x 1510.

Na foto, uma das cataratas do rio Niágara.

“Estamos no Niágara.

O Canadá é o paraíso dos caçadores e, por môr dêles, o próprio hotelito onde nos hospedamos chama-se ‘Cabeça de Raposa’. Mas talvez porque a caça se encontra em período de defeso, o hotel, em vez de caçadores, está, como a camioneta, cheio de recém-casados. Depois de verificarmos que as paredes do quarto que nos deram eram suficientemente espêssas para não deixar transpirar rumorejos dos noivos vizinhos, deitamo-nos, sempre a ouvir o fragor das famosas quedas de água…”

A Volta ao Mundo, Ferreira de Castro, Nº 15, 1944 - 50

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Na foto, uma das cataratas do rio Niágara.

“O director do Instituto (de Arte) que, amàvelmente, nos acompanha, diz-nos:

– Os senhores, os europeus, têm muito o costume de se rir de nós, porque, como possuímos poucas obras de arte, reproduzimos, muitas vezes, as obras de arte alheias. Mas êsse sorriso parece-nos injusto. Veja êste simples exemplo. Da população de Chicago, nem dois por cento, provàvelmente, pode ir a França contemplar as suas catedrais e as suas estátuas. Estas obras de arte ficam, portanto, apenas para os olhos dos ricos, aos quais, aliás, muitas vezes não interessam. ora, perante as cópias que mandamos fazer, e que são perfeitíssimas, todos os habitantes de Chicago podem admirar, por exemplo, a estátua de Jeanne D’Arc e os pórticos da catedral de Chartres. Êles não ficam, é certo, com a vaidade de ter visto os originais, mas ficam, sem dúvida alguma, com maior cultura artística.”

A Volta ao Mundo, Ferreira de Castro, Nº 15, 1944 - 51

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Nas imagens: o rio Niágara, e o povoado que fica em frente das cataratas do Niágara, no Canadá.

“Deve-se dizer, porém, que o dólar, embora cínico e corruptor como todo o dinheiro, é, aqui, de certa maneira, optimista e arrojado. Ao contrário das moedas dos velhos países, êle não cria, na América, êsse tipo clássico dos avarentos, dos velhos sórdidos que há na Europa e na terra árabe. Para o americano médio a sua obsessão do dólar representa a sua idéia do confôrto e da vida alegremente vivida. Para os grandes senhores da Banca e da Indústria, é a ânsia de um ser mais poderoso do que o outro, de ser o rei disto, de ser o rei daquilo. E daí os homens que passam a vida manejando fabulosas somas, lançando-se em vultosas iniciativas, sem nunca viver a vida… Em qualquer dos casos, porém, a idéia do mealheiro inerme, a idéia do mesquinho, que impera nos velhos povos, não faz parte da psicologia do povo americano.”

A Volta ao Mundo, Ferreira de Castro, Nº 15, 1944 - 49

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Na imagem, um mapa dos E. U. A..

” (…) há sempre, em Chicago, em Detroit e noutros centros industriais, uma luta surda entre o proletariado e o capitalismo. Só numa coisa os dois estão de acôrdo: na excelência do país. Pela primeira vez encontramos uma terra em que os seus habitantes, sejam nacionais, sejam estrangeiros, nunca se queixam dela. Muitos dos homens da América do Norte discordam da organização social em que vivem e rebelam-se contra ela; mas todos crêem que não existe outra nação com tantas possibilidades materiais para um melhor destino humano como esta.

As massas populares, incluindo as formadas por imigrantes, manifestam, na sua maioria, constante tendência para se entusiasmar com as grandes realizações americanas, mesmo quando estas em nada as beneficiam, e para admirar o conjunto do país, mesmo quando as circunstâncias são duramente adversas ao indivíduo, o que tantas vezes sucede.”

A Volta ao Mundo, Ferreira de Castro, Nº 15, 1944 - 47

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Na foto de Jorge Segurado, uma rua de Chicago.

“As ruas estão cheias duma multidão que vai e vem, sai dos bancos e das portas das grandes emprêsas e entra nos botequins vizinhos ou nas casas de outros comércios. E o asfalto não tem um palmo vago: os automóveis cobrem-no integralmente. Todos os géneros de transportes mecânicos são usados na cidade, mas o grande drama urbano de Chicago é, justamente, êsse, pois já não há lugar para mais veículos e todos os dias sobreja gente dos que existem. Vamos andando e, de súbito, ouvimos um forte e enervante ruído. É o ‘elevated’, o comboio aéreo, que passa sôbre a sua feiíssima ponte de ferro, fazendo estremecer tudo.”

A Volta ao Mundo, Ferreira de Castro, Nº 15, 1944 - 46

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Nas imagens: foto de Jorge Segurado duma rua do grande bairro comercial de Chicago; e o mercado de produtos.

“A parte mais grandiosa e mais conhecida de Chicago é ‘The Loop’ – o centro comercial. Mesmo onde não existem arranha-céus, as construções são tão uniformemente altas e escuras, sob um céu de fuligem, que, ao primeiro contacto com êste trecho da cidade, parece-nos que sufocamos. (…) Às quatro da tarde, vemos o sol brilhar lá em cima, na extremidade das fachadas, mas, cá em baixo, já se acenderam, de novo, as lâmpadas eléctricas, que doutra forma seria a escuridade nas lojas e nos escritórios dos primeiros andares.”

A Volta ao Mundo, Ferreira de Castro, Nº 15, 1944 - 45

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Na foto de Jorge Segurado, uma rua de pequeno comércio, em Chicago, nos E. U. A..

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A Volta ao Mundo, Ferreira de Castro, Nº 15, 1944 - 45a

Acerca do hotel Stevens:

“Em cima da mesa, um folheto explica-nos as inúmeras vantagens que, no maior hotel do Mundo, podem ser fruidas pelos hóspedes. Há nada menos de trezentas dactilógrafas e taquígrafas à disposição dêstes e algumas delas sabend escrever nas mais arrevesadas línguas; há médicos e dentistas privativos e cerimónias religiosas, ao domingo, na capela do edifício. Existem, também, dez barbearias, uma secção bancária, uma estação de correios e muitas outras particularidades úteis a quem se instala aqui. Tudo está previsto para que nada falte aos clientes e se a imaginação inventa uma necessidade basta pegar no telefone e comunicá-la à central do hotel, que ela será atendida num abrir e fechar de olhos…”

A Volta ao Mundo, Ferreira de Castro, Nº 15, 1944 - 44

Livro amavelmente cedido por Margarida Marques. Carregar na imagem para ver em tamanho 1097 x 1510.

Na foto, o arranha-céus do jornal Chicago Tribune, em Chicago.

“Vamos a caminho de Chicago e, durante a noite, atravessamos o Estado de Oklahoma, que foi, até 1889, ocupado apenas por tríbus de índios, que se opunham à colonização dos brancos. Hoje, Oklahoma, com dois e meio milhões de habitantes, vive de produzir algodão e trigo e, também, de extraír minérias riquezas das suas entranhas.”