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Tag Archives: Rocha Vieira

Ilustração, No. 120, Natal, Dezembro 16 1930 - 49

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“O poeta, o Menino Jesus e a gabardine, páginas de um livro de memórias”, por Castelo de Morais, ilustrado por Rocha Vieira.

“Pela calçada do Carmo, voei! O ágape ía ser lá em baixo, em um restaurante meu conhecido onde o paladar das viandas era gémeo do meu gôsto. Entrada a porta, tomei à esquerda um gabinete vago onde, sôbre a toalha branca, havia um solitário esguio com verdura fininha e cravos pobres. Abanquei. Veiu o talher. O copo e a garrafa de Colares tomaram posição favorável e, por fim, a canja de perú rescendeu na minha frente. O âmbito do gabinete encheu-se de fumos gulosos. Uma paz divina, uma quietude de Nirvana pairou sôbre mim como uma benção.”

Ilustração, No. 120, Natal, Dezembro 16 1930 - 48

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“O poeta, o Menino Jesus e a gabardine, páginas de um livro de memórias”, por Castelo de Morais, ilustrado por Rocha Vieira.

“Eu, como sempre, trazia a minha andaina preta, coçada e ruça. No entanto sôbre a cadeira visinha, ao lado do chapéu, uma gabardine em bom uso dizia à cidade e ao mundo que dois anos antes, eu tinha possuído de uma vez, umas centenas de escudos. Alheia a êstes pensamentos consoladores, a gabardine ía dormindo na cadeira um sono de gato. A fome começava a mordiscar-me o estômago. Os meus companheiros foram saíndo para almoçar mas vieram outros e eu fiquei à espera não sei de quê.”

Ilustração Portugueza, No. 541, July 3 1916 - 14

Revista amavelmente cedida por T do blogue Dias que Voam. Carregar na imagem para ver em tamanho 1000 x 1495.

“A Carga de Baioneta”, conto de João Grave, possivelmente ilustrado por Rocha Vieira.

“Alberto considerava que o heroismo era bem simples e que por isso havia nêle um fulgor de beleza. Ali estava, perto de si, aquele intrepido rapaz que, certamente, não devia ao mundo e á sorte nenhuma gratidão. Do labor do seu braço dependia o pão de bocas doentes e esfomeadas. No seu caminho só teria deparado a amargura e a desilusão: e apezar d’isso, oferecia á Patria, risonhamente, o seu alento, o seu sangue, a sua coragem.”

Ilustração Portugueza, No. 541, July 3 1916 - 13

Revista amavelmente cedida por T do blogue Dias que Voam. Carregar na imagem para ver em tamanho 1000 x 1496.

“A Carga de Baioneta”, conto de João Grave, possivelmente ilustrado por Rocha Vieira.

“Alberto, que chegára na vespera á linha de combate, era torturado por uma prodigiosa vibração de nervos. O ruido permanente dos canhões atordoava-o, afligia-o, irritava-o até á dôr; (…)

Estava (…) casado havia seis mezes apenas, quando a ordem de mobilisação o surpreendeu; e, como era reservista, teve de deixar tudo, amores, encantos, doçuras, abnegações, para fazer-se soldado… (…)

– Voltarei a vê-la?

Esta duvida pungia-o. (…)

– Com que direito dispõem da minha existencia de homem outros homens? perguntava.

Não compreendia a passividade de tantos milhares de creaturas que obedeciam passivamente a uma simples ordem, sem se insubordinarem.”

Ilustração Portugueza, No. 437, July 6 1914 - 27

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A escritora Amália de Queirós publica o livro “Leituras Escolares”, ilustrado por Stuart de Carvalhais e Rocha Vieira, edição do Século, que venceu o concurso do Século do melhor livro para o público infantil.

Nas imagens: a capa do livro (por Stuart); a autora; e várias ilustrações retiradas do livro.

Ilustração Portugueza, No. 437, July 6 1914 - 27a

“A sua autora, com uma compreensão nitida do que é a alma infantil, fez dos setenta e sete trechos de boa e simples prosa portugueza outros tantos assuntos palpitantes e educativos que começam por dar às creanças conhecimentos uteis sobre varias cousas e acaba por instruil-as n’uma grande norma de sã moral d’amor pátrio.”

Ilustração Portugueza, 8 December, 1923 - 9

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O conto “Enfim!”, de Cruz Magalhães, datado de 1891, e ilustrado por Rocha Vieira. Publicidade aos produtos de beleza Rainha da Hungria, da Academia Científica de Beleza.

“Assim falando, o vulto gràcilmente feminil deixou cair a longa tunica, que o encobria, e aos olhos do Poeta ostentou-se a Morte que lhe estendia os braços!…

Ele curvou o joelho, num extase, como perante a mais formosa musa e exclamou desafogadamente: – emfim!”